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Clube do Choro celebra quatro décadas de atividades

Uma das mais importantes histórias da cultura musical candanga, a do Clube do Choro de Brasília, vem sendo contada ao longo das últimas quatro décadas. Esse marco é o tema do projeto que a instituição promove em 2017, com uma série de shows a partir do próximo fim de semana. Até a primeira quinzena de dezembro, passarão por aquele palco alguns dos mais destacados instrumentistas brasileiros, com shows às quintas e sextas-feiras.

Os protagonistas do espetáculo de abertura, porém, serão chorões da velha guarda brasiliense. “É uma justa homenagem que vamos prestar a alguns dos fundadores do Clube do Choro, que continua em atuação e contribuindo para a música na capital”, afirma o presidente da entidade Henrique Santos Neto, o Reco do Bandolim.

Entre os instrumentistas que sobem ao palco nos dias 13 e 14, estão Odette Ernest Dias, Walcir Tavares, Edgardo Tavares, Antônio Lício, José Américo, Nivaldo da Flauta, Dolores Thomé, Everaldo Pinheiro, Chico de Assis, Beth Ernest Dias, Jaime Ernest Dias, Augusto Contreras, Pinheirinho, Valdeci, Kunca e Tonho. A eles se juntam músicos como Fernando César, Henrique Neto, Valerinho Xavier e Serginho Moraes.

Aos 88 anos, Odete Ernest Dias mantém-se em plena atividade como musicista. Depois de longo período na capital, onde foi professora da UnB, ela voltou a morar no Rio de Janeiro. Detentora do título de cidadã honorária de Brasília, ela não tem apego à tradição. “Vejo o Clube do Choro, cuja ideia de criação surgiu das reuniões em minha casa, como um marco para a evolução musical em Brasília. Para isso contribui decisivamente a Escola de Choro, que atua na formação de jovens talentos, dispostos a experimentar novas linguagens”.

Reco do Bandolim afirma que o projeto Clube do Choro 40 Anos servirá para os participantes refletirem sobre o significado do choro para a nossa cultura popular. “Nos shows que serão apresentados, teremos oportunidade de lembrar com saudade e reconhecimento, de mestres que deixaram saudade e contribuíram decisivamente para a implantação desse gênero musical em Brasília”, destaca. Ele cita Waldir Azevedo, Avena de Castro, Pernambuco do Pandeiro, Bide da Flauta, Tio João, Tio Nilo, Eli do Cavaco, Hamilton Costa, Dr. Six, Simpatia, Miudinho e Neusa França, entre outros.

Ainda neste mês vão se apresentar Spok Quinteto, nos dias 20 e 21; Wagner Tiso e Márcuo Malard, nos dias 27 e 28. A programação de maio conta com Mestrinho e Choro Livre (dias 4 e 5), Armandinho Macedo (dias 11 e 1), Trio Madeira Brasil (dias 18 e 19) e Derico e grupo (dias 25 e 26). Segundo a direção da casa, a partir de agora, os shows terão início, impreterivelmente, às 21h.

Com Henrique Santos Filho, o Reco do Bandolim, a partir de 1993, o Clube do Choro viveu um processo de revitalização e profissinalização. Depois de assistir, em Salvador, a uma apresentação de Armandinho Macedo, tocando Jacob do Bandolim, Reco começou a participar das reuniões no apartamento de Odette Ernest Dias, e foi um dos que assinaram a ara de fundação do Clube do Choro. “Primeiro buscamos criar condições de funcionamento da degradada sede. Em contato com Armansdinho Macedo e Raphael Rabello, conseguimos trazê-los a Brasília para uma apresentação na Sala Villa-Lobos. Generosamente, os dois abriram mão do cachê que receberiam e toda a renda do show foi destinada à restauração da sede e da aquisição de mobiliário e equipamentos”, conta o presidente.

De 1993 para cá, a trajetória do Clube do Choro foi marcada por sucessivas conquistas. Em 1997, houve a criação do projeto que desde então é desenvolvido entre março e dezembro, com a participação de expoentes da música instrumental do país, tendo como homenageado compositores que construíram a história do choro e da MPB. O primeiro foi Pixinguinha, que naquela data completaria 100 anos. Em 2017, foi prestado tributo a Paulinho da Viola.

Outra grande conquista do Clube do Choro foi a da nova sede, num prédio amplo, criado a partir de projeto de Oscar Niemeyer, no Eixo Monumental. Criada em 1998, a Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, desde então, vem formando incontáveis instrumentistas. No momento, 1. 200 alunos estão matriculados na Escola de Choro. Eles recebem ensinamentos de 28 professores de 16 instrumentos, entre os quais violão, cavaquinho, bandolim, pandeiro e flauta — usados tradicionalmente por regionais de choro:” “Entre os nossos alunos, 20% recebem bolsas integrais. E há os que pelo talento que demonstram, recebem aulas gratuitamente”, conta Henrique Neto, coordenador da escola.

História de tradição e experimentação

Primeiro foram as reuniões de instrumentistas no apartamento do jornalista Raimundo de Brito, na 105 Sul, com a participação de Jacob do Bandolim, no fim dos anos 1960. Depois, os encontros promovidos pela flautista Odette Ernest Dias, em sua residência na 111 Sul, na década seguinte, com a presença de músicos originários do Rio de Janeiro, como Waldir Azevedo, Avena de Castro, Bide da Flauta e Pernambuco do Pandeiro.

A criação do Clube do Choro de Brasília, há 40 anos, teve origem nas rodas idealizadas por Odette. Como o espaço do apartamento dela ficou pequeno para abrigar o grande número de participantes, houve a necessidade de se ter um espaço maior para acolhê-los. Isso ocorreu depois que uma comissão formada por chorões que se dirigiu ao então governador Elmo Serejo Farias.

Contato
A comissão, que tinha à frente Avena de Castro, foi apresentada ao governador por Walcir Tavares, que o assessorava. “ Encontramos uma sala, ao lado do Planetário, que pertencia ao Departamento de Turismo”, recorda-se Walcir, hoje com 88 anos. “O pequeno prédio estava abandonado e para ocupá-lo houve a necessidade de fazer uma grande faxina”.

Fundado em 9 de setembro de 1977, o Clube do Choro (mas registrado em cartório, em 25 de outubro de 1977) passou a ser dirigido pelo citarista Avena de Castro. Avena morreu seis meses depois e Walcir foi convocado para substituí-lo. “As primeiras reuniões do clube, bem informais, na parte externa, foram comandadas por Pernambuco do Pandeiro, líder do conjunto que se apresentava. Durante a roda de choro, nas tardes de sábado, eram servidos sarapatel e feijoada”, lembra Walcir.

Com Lício da Flauta no comando da entidade, entre 1981 e 1983, as rodas de choro passaram a ser realizadas duas vezes por semana. “Cobrávamos um ingresso mínimo, para que pudéssemos pagar o consumo de luz e água. Como me mudei para Maceió, o advogado Francisco de Assis, o Dr, Six, que era o vice-presidente, me substituiu”, explica.

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